Skip to content

Impeachment

O processo de impeachment de Dilma Rousseff teve início no dia 2 de dezembro de 2015, quando o então presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, aceitou o documento elaborado e apresentado pelo jurista Hélio Bicudo, um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT), e pelos advogados Miguel Reale Júnior e Janaina Paschoal. A ex-presidente foi acusada de crime de responsabilidade fiscal, cujo argumento seria referente às “pedaladas fiscais”, que trouxeram como consequência o atraso de pagamento aos bancos oficiais, obrigando as instituições a retirarem recursos próprios para cumprir os benefícios sociais.

Entretanto, pela retaliação dos apoiadores ao governo, Cunha adiou a formação da comissão especial para investigação da denúncia. Apesar de rapidamente surgir uma comissão alternativa, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Edson Fachin, resolveu manter a suspensão para garantir a validade constitucional do ritual. Em seguida, Dilma Rousseff entrou com ação para anular a possível abertura do impeachment e iniciou sua defesa nas redes sociais online. Ao mesmo tempo, Rodrigo Janot, Procurador Geral da República, protocolou outra ação para questionar a lei que regula os crimes de responsabilidade no país.

Vídeo compartilhado no dia 02/12/2015.
Fonte: página da ex-presidente no Facebook.

O assunto só foi retomado em fevereiro de 2016, quando a Câmara enviou ao Supremo um pedido de revisão das decisões tomadas pela Corte no ano anterior. No dia 16 de março, o STF ratificou sua decisão e o processo começou a tramitar na Câmara, que escolheu os 65 integrantes da comissão especial para análise do documento. Começou então a fase de depoimentos dos envolvidos para averiguação da legitimidade do pedido. No dia 6 de abril, o relator oficial da comissão do impeachment, Jovair Arantes, apresentou um relatório favorável à denúncia e, no dia 11, a abertura do processo foi aprovada com 38 votos a favor.

No dia 17 de abril, data da votação da abertura do impeachment na Câmara dos Deputados, a hashtag #ImpeachmentDay atingiu os trends do Twitter, tendo alcance mundial das 13h às 23h. Por 367 votos a 137, o pedido de destituição foi aceito e encaminhado para a investigação e decisão do Senado. Segundo informações divulgadas pela empresa de monitoramento Sprinklr, por meio da ferramenta Scup, foram 2.255 milhões de publicações sobre o assunto naquele dia, abarcando o Twitter e o Instagram. 15% das menções foram coletadas pela empresa às 18h, horário de início da votação. As hashtags com melhor performance, depois de #ImpeachmentDay, foram #ForaDilma e #NaoVaiTerGolpe (com e sem “til”). No Instagram, 60% das publicações foram favoráveis ao impeachment e, no Twitter, 85% foram contrárias, o que mostra uma especificidade de uso das plataformas midiáticas, contemplando nichos distintos. Na média, a análise concluiu que 77% dos usuários eram solidários ao governo da ex-presidente.

Nuvem de tags da hashtag #NaoVaiTerGolpe – 17/04/2016.
Fonte: representação criada pela autora.
Nuvem de tags da hashtag #ForaDilma – 17/04/2016.
Fonte: representação criada pela autora.

Já na manhã de 11 de maio, primeiro dia de votação no Senado, a hashtag com maior visibilidade foi #AnulaTeori, fazendo menção ao ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), que poderia anular a votação. Como o pedido foi recusado, a hashtag deixou de ser utilizada rapidamente. Entre 9h e 18h30, a hashtag mais compartilhada, alcançando visibilidade mundial nos trends do Twitter, foi #TchauQueridaDay. Ela gerou força para a propagação de #ForaDilma, aumentando o número de tópicos relacionados. Outras hashtags que também entraram no ranking foram #ByeDemocracyDay, #GolpistasDay e #SeEuFosseADilma. Às 13h, #GolpeDay também entrou nos trends, mas apenas vigorou por cerca de uma hora. Às 17h30, três dessas hashtags ocuparam o topo de compartilhamento no Twitter brasileiro e todas desapareceram antes das 23h. 

O pico de circulação de hashtags ocorreu durante os discursos. Entre os 77 senadores que estavam presentes, 71 se inscreveram para discursar antes do voto. 50 falaram a favor do impeachment, 20 contra e 1 ficou indefinido. O processo de votação durou 20 horas e terminou na manhã do dia 12/05, tendo o pedido de abertura do impeachment aceito pelo Senado, com 55 votos a favor e 22 contrários. Dilma foi então afastada por 180 dias e cedeu lugar a Michel Temer, que assumiu como presidente interino. Após o anúncio formal da decisão, a hashtag #TchauQuerida ocupou os trends do Twitter no Brasil, alcançando visibilidade mundial às 13h. Outras duas hashtags também ficaram no topo da conversação no país. Primeiro identificamos um aumento repentino de #DumbledorePresidente, tendo sido uma hashtag muito utilizada para o compartilhamento de memes. Ela fazia referência ao personagem da narrativa de Harry Potter, criado pela autora J. K. Rowling. A segunda hashtag foi #LutoPelaDemocracia, que chegou ao ranking às 15h30. No dia 13, sexta-feira, após a consolidação do governo interino, surgiu também a hashtag #SextaFeiraTemer nos trends, uma paródia às superstições criadas em razão da sexta-feira 13, dia de azar.


Nuvem de tags da hashtag #NaoVaiTerGolpe – 11 e 12/05/2016.
Fonte: representação criada pela autora.
Nuvem de tags da hashtag #ForaDilma – 11 e 12/05/2016.
Fonte: representação criada pela autora.

A última etapa do processo de impeachment ocorreu entre os dias 25 e 31 de agosto. No primeiro dia de votação destacaram-se os tweets publicados pelos meios de comunicação, utilizando a hashtag #impeachment, que entrou nos trends mundiais às 12h, seguindo sem picos de novos termos até 28/08. Já no dia 29/08, data do depoimento de Dilma Rousseff, a hashtag mais compartilhada foi #PelaDemocracia, conquistando o primeiro lugar nos trends mundiais às 12h. Por meio da ferramenta de busca avançada do Twitter, conseguimos inferir que a hashtag foi muito disseminada estrategicamente pelo próprio perfil oficial da ex-presidente (@dilmabr). A hashtag também foi muito mencionada por representantes do PT e grupos de midiativismo, como Mídia Ninja. 

Em 31/08, data do anúncio da decisão final do Senado, a hashtag  com melhor performance foi, novamente, #ImpeachmentDay, usada anteriormente na votação do dia 17/04. A hashtag se manteve no topo dos trends mundiais até às 16h. Apesar de ter tecido uma conexão maior com a hashtag #ForaDilma, percebemos também que foi muito utilizada em associação com #NaoVaiTerGolpe. No período da noite, três hashtags também entraram no ranking: #Golpe, #ForaTemer e #Bolsonaro2018. A primeira marcava a concretização da hipótese do golpe, a segunda dizia respeito aos tweets insatisfeitos com a ocupação oficial de Michel Temer no posto de presidente da República. E a última fazia referência às eleições de 2018, apontando o deputado federal Jair Bolsonaro como possível candidato à presidência.

Nuvem de tags da hashtag #NaoVaiTerGolpe – 25 a 31/08/2016.
Fonte: representação criada pela autora.
Nuvem de tags da hashtag #ForaDilma – 25 a 31/08/2016.
Fonte: representação criada pela autora.